Vent’anni fa sarei morta

Sono rimasta una settimana virtualmente in Brasile, domandando, ascoltando. Ora lo so: se fossi rimasta sarei morta. Le torture nei commissariati, il ruolo degli organi di sicurezza, il coinvolgimento dello Stato nel traffico di droga (sfido chiunque a negare che lo Stato brasiliano non sia contaminato, drogato), le esecuzioni, la corruzione della magistratura, la crudeltà patologica delle polizie e la violenza primitiva dei trafficanti. E’ tutto una stessa, imensa,spaventosa “cosa”.

E sono lì, in un dualismo politico retrogrado, mediocre, in un dibattito bugiardo, criando uno spettacolo politico che lascia la nostra cultura imbarazzata (perché la cultura brasiliana è molto, mille volte migliore della nostra politica).

Dopo la consapevolezza era impossibile osservare il sangue tiepido, la carne rigida, la normalizzazione dell’orrore, senza agire.

Vent’anni fa, se non fosse scappata dal Brasile, sarei morta.

(Frammenti di una storia da raccontare)

rio Negro

Passei uma semana virtualmente no Brasil, perguntando, ouvindo. Agora eu sei: se tivesse ficado teria morrido. As torturas, o papel dos órgãos de segurança, o envolvimento do Estado com o tráfico de drogas (porque desafio qualquer um a defender que o Estado brasileiro não está contaminado, drogado), as execuções, a corrupção do judiciário, a crueldade patologica das policias e a violência primitiva dos traficantes. É tudo uma mesma, enorme, assustadora, “coisa”.
E estão aí, num dualismo politico atrasado, mediocre, num debate mentiroso, criando um espetáculo politico que deixa a nossa cultura com vergonha (porque a nossa cultura é muito melhor, é mil vezes superior à nossa politica).
Depois de ter descoberto era impossível observar o sangue morno, a carne rigida, a normalização do horror, sem agir.
Vinte anos atrás, se não tivesse escapado do Brasil, eu teria morrido.

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